/> Πρωτεύς: Fevereiro 2010

7 de fevereiro de 2010

Georg Trakl - De profundis


Van Gogh. Die Rhone bei Nacht.1888
Es ist ein Stoppelfeld, in das ein schwarzer Regen fällt.
Es ist ein brauner Baum, der einsam dasteht.
Es ist ein Zischelwind, der leere Hütten umkreist -
Wie traurig dieser Abend.

Am Weiler vorbei
Sammelt die sanfte Waise noch spärliche Ähren ein.
Ihre Augen weiden rund und goldig in der Dämmerung
Und ihr Schoß harrt des himmlischen Bräutigams.

Bei ihrer Heimkehr
Fanden die Hirten den süßen Leib
Verwest im Dornenbusch.

Ein Schatten bin ich ferne finsteren Dörfern.
Gottes Schweigen
Trank ich aus dem Brunnen des Hains.

Auf meine Stirne tritt kaltes Metall.
Spinnen suchen mein Herz.
Es ist ein Licht, das meinen Mund erlöscht.

Nachts fand ich mich auf einer Heide,
Starrend von Unrat und Staub der Sterne.
Im Haselgebüsch
Klangen wieder kristallne Engel.

4 de fevereiro de 2010

"É noite"

Sussurra-me: — é noite,
A terra silenciou agora, agora
Sob nenhum passo, dorme.
Deita a mão sobre meu peito,
Cerra-me os lábios completamente,
Completamente desconjugados:
Nem voz, nem verso, nem vez;
Nenhum engano, farsa ou erro.
Feito o silêncio até o fundo,
O epidérmico espírito,
Até de mim somente o mesmo.
Vem, sussurra-me: — é noite;
Ando inquieta por horas
E ora te esqueço de mim e durmo,
Mas não agora ou já bem tarde.
Deita aqui, corpo sobre o meu,
Como quando a tempestade lança
Uma nuvem sobre a outra,
Junto a outra e através;
Poratravés delas, eclode e tomba.
Não é o tempo, nenhum quando:
Aí te espero colinas adentro,
Sobre o alto pico anuviado.
Seja língua e ouvido, o mesmo;
Sejam os sentidos, sussurros;
Intensos, vorazes, porém:
Toda a verdade da carne pura.
Vem, derrama em meus ouvidos
A matéria qualquer de teu ser:
— É noite, sejamos unidos,
Margens outras pela corrente;
Sejamos um mesmo agora,
No mesmo grito átono: “agora!”.

3 de fevereiro de 2010

Andante

Penso num lugar e tempo remotos.
Nem passado, nem futuro.
É quando a palavra não basta
E o silêncio não basta,
Cada passo é meio-caminho.
No meio-caminho de nossa vida
O tempo é uma canção de infância.
Penso e nada retenho.
Tornei-me a superfície da superfície
E a verdade, um lugar claro na selva escura.

2 de fevereiro de 2010

Através do deserto I

Sobre o silêncio paira a inquietude
Das mãos que pousam imóveis,
Movem horas e ora dobram,
Demoradamente mudas.
Adormeceram, acaso, musas,
Tanto pior, definitivamente?
Nenhuma substância brota
De alguma subestância profunda,
O fundo é pântano e lodo.
Era o silêncio, enfim, qualquer
Morte ou dormente travessia,
Qualquer vida outra diversa e vaga,
Qualquer vaga impressão de não ser:
O crânio partido em terço,
O rosário pagão do mistério último,
Da verdade última de todo caso,
Comutação de Acaso e Fado.
Era também o asno a puxar o tronco,
Sob as rédeas férreas, sôfrego,
Da necessidade e a carga dos dias
Ou sempre renovada comédia
Ou sempre demorada apatia.

Vens, porém, e o que muda
É nada e tudo e quase tanto
Quanto a catástrofe...
Ou revolução silenciosa
De astro e nuvem.