À noite, quando penso nas musas
Que nos deixaram, ou nas lusas
Travessias, além d’África.
É teu canto à cabeceira, Camões,
O vestígio do mundo arcano,
Inacessável. À noite, sobre o Tejo,
Quando do verso parte a melodia,
Quando a sílaba cadente grita:
“Nem senhor, nem mestre!”
À tarde quando, esquecido, enrrubesce
Urano e o metal do campanário aquieta,
Em Brasília, o rebuliço da turba,
É teu canto, Luís, esta estante suja,
Empoeirada e coberta de aranhas;
É o silêncio quando a tarde morre,
Quando do verso parte a melodia.
É quando a sílaba cadente grita:
“Nem senhor, nem mestre!”
3 de outubro de 2010
2 de outubro de 2010
Ariana
Ariana,
Se as revoluções do astro
Oblíquo cuja espiral arrasta
A dança dos ciganos,
Armas de um lunático
E a solidão de um camponês exausto
O permitissem,
Àquele outono tornaria,
Ao verso, ao braço, ao berço
Da lembrança,
Ao lábio:
De um sempre desassossego.
E quem não seríamos, Ariana?
Esquecidos e errantes; Amigos
Das manhãs e do pôr-do-sol.
Ariana...
Ariana...
Ariana...
Se a terceira margem
Do rio era o leito; sua água
Reflexo dos olhos de Orfeu;
Era lembrança, o teu nome,
E canção de despedida.
Ariana,
Se o rastro da espiral oblíqua
Do astro obstinado que arrasta,
A dança de um lunático,
A fúria do camponês exausto,
E a solidão de um cigano
Errando através dum reino
Estrangeiro, lembrasse a estória
Dos encontros e desencontros;
Ali, descendo a carruagem negra,
Virias chamar meu nome
E eu:
Ariana...
Ariana...
Ariana...
Se as revoluções do astro
Oblíquo cuja espiral arrasta
A dança dos ciganos,
Armas de um lunático
E a solidão de um camponês exausto
O permitissem,
Àquele outono tornaria,
Ao verso, ao braço, ao berço
Da lembrança,
Ao lábio:
De um sempre desassossego.
E quem não seríamos, Ariana?
Esquecidos e errantes; Amigos
Das manhãs e do pôr-do-sol.
Ariana...
Ariana...
Ariana...
Se a terceira margem
Do rio era o leito; sua água
Reflexo dos olhos de Orfeu;
Era lembrança, o teu nome,
E canção de despedida.
Ariana,
Se o rastro da espiral oblíqua
Do astro obstinado que arrasta,
A dança de um lunático,
A fúria do camponês exausto,
E a solidão de um cigano
Errando através dum reino
Estrangeiro, lembrasse a estória
Dos encontros e desencontros;
Ali, descendo a carruagem negra,
Virias chamar meu nome
E eu:
Ariana...
Ariana...
Ariana...
1 de outubro de 2010
Canção de adeus
Se um dia o tempo, pretor dos famintos,
Pousar sobre a vista turva que os dias
Cinzas de outono ou a derradeira chuva
Do verão encobre, corra até o jardim.
A lua estará como a deixamos: muda;
Pousar sobre a vista turva que os dias
Cinzas de outono ou a derradeira chuva
Do verão encobre, corra até o jardim.
A lua estará como a deixamos: muda;
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